Um Domingo Sombrio
Hoje eu estou perdido sobre meu próprio destino, Hoje eu acordei sem propósito sem sentido.Minha Alma esvaindo escorrendo sobre o caminho, um caminho que não pertence a nós.Não neste domingo, Um Domingo Sombrio...
Com essas palavras ele terminou a
ultima folha de seu diário arrancando todas as seguintes e jogando sobre o lixo
da escrivaninha que já estava lotada de magoas, lágrimas e desejos nunca
realizados, seu quarto estava à luz de velas isso lhe reconfortava.
Seus olhos estavam cheios de lágrimas, lágrimas que ele havia contido há tempos, mas que agora não mas fazia
diferença, não seria forte não naquele dia, era um dia de descarregar tudo, todas
suas dores todo sofrimento contido em seu coração, magoas e ódios que sentia e
guardava, havia sido bom de mais, mas percebeu que neste mundo isso não fazia
nenhuma diferença, que ser bom só seria mais uma de suas fraquezas.
Levantou apoiando-se sobre escrivaninha
como se não estivesse mais forças caminhou ate o Bar pessoal que havia dentro
de seu escritório, um escritório tão velho quanto a sua aparência estava aquele
dia, mas ele gostava de coisas velhas, coisas antigas e o cheiro daquele cômodo
traziam lembranças boas de eras passadas criativamente criando em sua mente
sobre os antigos pertencentes,gostava de imaginar historias,gostava de
perguntar-se quem viveria aquilo, quem já pode ter tocado no mesmo móvel que
ele que historias viveram sobre os mesmo, ele se maravilhava com tais
sensações. Ele abriu a porta do Bar La continha uma coleção de ótimos vinhos,
ele adorava vinho seu cheiro seu sabor, digno de um Deus, pois assim acreditava
que uma bebida tão saborosa só poderia ter sido receitada por Dioniso o Deus da Insânia, mas não era o
vinho que ele procurava, não em uma ocasião tão especial como aquela, mas sim
aquele frasco que ele havia guardado por anos, aquele frasco que ficou no
esquecimento seria lembrado por ele no dia que ele próprio iria vagar sobre a
escuridão ,
Aquele frasco de Uísque era um presente que ele havia ganhado da mesma
pessoa pelo qual motivo ele ficou
naquela situação deplorável e desgastante, ele pensou em colocar no copo mas
logo desistiu da ideia ele iria levar com sigo até a ultima gota daquele frasco,
aquela pequena lembrança que havia ganhado dela e que resolvera guardar por
anos,um frasco de Uísque Glenrothes 1985 que ela comprara em uma loja quando
eles estavam em passeio na Inglaterra,naquela mesma tarde ele pensou em abrir
pra comemorar com ela a tão esperada viagem mas ela o parou dizendo pra ele
guardar para uma ocasião mais importante, ele ressentiu mas resolveu então
guardar.
Então logo arrancou a tampa
deixando a cair no chão e virou a garrafa na boca dando um gole longo e
profundo tentando aliviar de vez aquela dor insuportável que estava sentindo em
seu peito e essa dor viaja pelo seu corpo fazendo sentir as piores das
sensações que alguém podia sentir, então virou novamente e de novo e continuou
assim com curtas paradas de tempo e em cada gole ele tentava lembrar do rosto
de sua amada, mas via que só conseguia lembrar-se daquele maldito dia, aquele
dia em que seus desejos e sonhos haviam acabado e só restava um vazio um corpo
sem alma e sem vontade de viver, ele se culpava de tudo aquilo cada segundo
após aquele maldito acidente, Ele caminhou até a janela para observar o tempo
estava chovendo...era um dia perfeito. Olhou para o lado em cima da mesinha
encostada na parede continha uma vaso com inúmeras flores Brancas ela adorava
flores brancas a deixava em paz, ela sempre levava uma flor de presente para
ele,elas significava o tempo deles estarem juntos cada mês que se passava na
mesma data ela trazia e colocava sobre o vaso,ela pensava em retirar as velhas
e colocar as novas mas ele a proibia de fazer isso,dizia que cada flor que
estava ali era um lembrança para ele,desde a mais desgastada pelo tempo a mais
nova, isso causou nele um desconforto imenso,lembrar daquilo já não era algo
bom já não fazia mais sentido,os Anjos que ele tanto orava já não podia fazer
nada por ele, eles haviam negado de trazer ela de volta,estava fora de seus
poderes e isso o revoltava, tão devoto e fora abandonado, deixou o Uísque sobre
a mesa e segurou o vaso sobre as mãos olhou atentamente por alguns segundos e logo
venho aquelas malditas imagens em sua mente as que o fazia arrepender
profundamente daquele maldito dia,mas
ele precisava lembrar do propósito de tudo aquilo,ele se achava merecedor do
sofrimento então com o vaso nas mãos simplesmente fechou seu olhos e as imagens
começou a surgir em sua mente reconstruindo aquele dia. Eles estavam falando
pelo telefone discutindo, ele estava exausto só queria descansar mas ela queria conversar precisava dar uma
noticia pra ele,mas ele já tinha recebido noticias ruins de mais por um dia não
queria falar com ninguém, só queria encostar sua cabeça sobre o travesseiro e
esquecer de tudo e todos, seu livro tinha sido negado por todas as editoras que
ele havia enviado, era a esperança das coisas voltarem ao normal ele esperava
por esse momento a anos e tanto trabalho e dedicação tinha sido jogado fora,
como poderia conversar com ela que cara teria pra olhar nos olhos dela e dizer
que era um fracasso como escritor e na vida, Ela já estava a caminho da casa
dele era uma estrada curta de poucos minutos estava de carro e garoava fraco na
estrada, mas era uma pista movimentada de caminhões e carros, então ela decidiu
parar em um acostamento em quanto falava com ele pelo telefone, eles estavam
passando por um momento difícil em seu relacionamento, algumas semanas de
brigas, ele estava sobrecarregado pelo trabalho pois era um projeto de toda uma
vida e ela estava estranha com ele dias bens e dias ruins algo que ele não
entendia e isso o incomodava profundamente, e pra ter outra briga era melhor
que eles não se vissem,ela insistia mas ele não poderia ver ela, não naquele
estado de fracasso então resolveu dar um basta naquela discussão dando um grito
forte no telefone dizendo que não queria ver ela e pra não insistir, instintivamente ela soltou um grito também dizendo que estava grávida
automaticamente jogando o carro na estrada para fazer o retorno de volta pra
casa com seus sentidos atordoados por causa do estresse e da raiva, do outro
lado do telefone só podia se escutar o término da palavra grávida com um fino
grito e uma buzina grave e logo em
seguida o simples som de um celular desligado.
Ele apertou mais forte seus olhos como um pensamento ruim que vinha na
sua cabeça e ele forçava pra retirar, mas aquilo era impossível aquele sentimento
não sairia e não deixaria ele viver em paz, então abriu os olhos com o vazo
sobre suas mãos apertava tão fortemente que ninguém conseguiria tirar de suas
mãos e com a mesma ira o atirou sobre a janela do sexto andar onde morava
estilhaçando assim o vidro que protegia a janela e fazendo com que as folhas
brancas se misturassem com os estilhaços de vidros no chão daquela rua deserta,
uma rua com ninguém que achasse ruim o feito,que pudesse querer tirar
satisfação,que pudesse assim então joga-lo da mesma janela mas isso ele sabia
que não iria acontecer coisas boas não são fáceis assim, então se lembrou do
relógio não podia passar da meia noite,pois teria que ser marcado pela data e
aquela data seria lembrada, então olhou no relógio já era 23:40hrs não podia
perder mais tempo estava decidido,então abriu a gaveta de sua escrivaninha e tirou
dois frascos um de Lorazepam e outro de Propofol era o suficiente pra acabar
com toda aquela dor que avia sentido durante todo o mês que passou avia
aguentado muito,aquela dor não iria cessar não até ele decidir deixar o mundo
onde vivia e que o tirou o que mais amava, então ele preparou os dois remédios
já dava 23:54hrs precisava ser rápido não podia perder a oportunidade se não
seria tudo em vão,aquela era a data e a hora certa pois neste mesmo dia eles
completavam cinco anos juntos então ele
acabou por tomar quatro pílulas de Lorazepam e logo em seguida injetou o
Propofol e seus olhos foram fechando
pouco a pouco foi sentido-se cansado e logo foi segurando o diário nas mãos
assim indicando que quem o achasse deveria o ler sentou-se encostado na
escrivaninha e somente repetia a mesma frase,
Será que os Anjos vão ficar zangados, porque me decidi juntar a você?...
Então ele acordou e viu que tudo não se passava de um pesadelo real, ele
estava em um manicômio com seus braços amarrados e deitado sobre o chão daquela
sala clara, então um pingo de sanidade voltou em sua cabeça.