quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Um Domingo Sombrio



                                                                              



                                      Um Domingo Sombrio 





Hoje eu estou perdido sobre meu próprio destino, Hoje eu acordei sem propósito sem sentido.Minha Alma esvaindo escorrendo sobre o caminho, um caminho que não pertence a nós.Não neste domingo, Um Domingo Sombrio...
Com essas palavras ele terminou a ultima folha de seu diário arrancando todas as seguintes e jogando sobre o lixo da escrivaninha que já estava lotada de magoas, lágrimas e desejos nunca realizados, seu quarto estava à luz de velas isso lhe reconfortava.
Seus olhos estavam cheios de lágrimas, lágrimas que ele havia contido há tempos, mas que agora não mas fazia diferença, não seria forte não naquele dia, era um dia de descarregar tudo, todas suas dores todo sofrimento contido em seu coração, magoas e ódios que sentia e guardava, havia sido bom de mais, mas percebeu que neste mundo isso não fazia nenhuma diferença, que ser bom só seria mais uma de suas fraquezas.
Levantou apoiando-se sobre escrivaninha como se não estivesse mais forças caminhou ate o Bar pessoal que havia dentro de seu escritório, um escritório tão velho quanto a sua aparência estava aquele dia, mas ele gostava de coisas velhas, coisas antigas e o cheiro daquele cômodo traziam lembranças boas de eras passadas criativamente criando em sua mente sobre os antigos pertencentes,gostava de imaginar historias,gostava de perguntar-se quem viveria aquilo, quem já pode ter tocado no mesmo móvel que ele que historias viveram sobre os mesmo, ele se maravilhava com tais sensações. Ele abriu a porta do Bar La continha uma coleção de ótimos vinhos, ele adorava vinho seu cheiro seu sabor, digno de um Deus, pois assim acreditava que uma bebida tão saborosa só poderia ter sido receitada por Dioniso o Deus da Insânia, mas não era o vinho que ele procurava, não em uma ocasião tão especial como aquela, mas sim aquele frasco que ele havia guardado por anos, aquele frasco que ficou no esquecimento seria lembrado por ele no dia que ele próprio iria vagar sobre a escuridão ,
Aquele frasco de Uísque era um presente que ele havia ganhado da mesma pessoa pelo qual  motivo ele ficou naquela situação deplorável e desgastante, ele pensou em colocar no copo mas logo desistiu da ideia ele iria levar com sigo até a ultima gota daquele frasco, aquela pequena lembrança que havia ganhado dela e que resolvera guardar por anos,um frasco de Uísque Glenrothes 1985 que ela comprara em uma loja quando eles estavam em passeio na Inglaterra,naquela mesma tarde ele pensou em abrir pra comemorar com ela a tão esperada viagem mas ela o parou dizendo pra ele guardar para uma ocasião mais importante, ele ressentiu mas resolveu então guardar.
 Então logo arrancou a tampa deixando a cair no chão e virou a garrafa na boca dando um gole longo e profundo tentando aliviar de vez aquela dor insuportável que estava sentindo em seu peito e essa dor viaja pelo seu corpo fazendo sentir as piores das sensações que alguém podia sentir, então virou novamente e de novo e continuou assim com curtas paradas de tempo e em cada gole ele tentava lembrar do rosto de sua amada, mas via que só conseguia lembrar-se daquele maldito dia, aquele dia em que seus desejos e sonhos haviam acabado e só restava um vazio um corpo sem alma e sem vontade de viver, ele se culpava de tudo aquilo cada segundo após aquele maldito acidente, Ele caminhou até a janela para observar o tempo estava chovendo...era um dia perfeito. Olhou para o lado em cima da mesinha encostada na parede continha uma vaso com inúmeras flores Brancas ela adorava flores brancas a deixava em paz, ela sempre levava uma flor de presente para ele,elas significava o tempo deles estarem juntos cada mês que se passava na mesma data ela trazia e colocava sobre o vaso,ela pensava em retirar as velhas e colocar as novas mas ele a proibia de fazer isso,dizia que cada flor que estava ali era um lembrança para ele,desde a mais desgastada pelo tempo a mais nova, isso causou nele um desconforto imenso,lembrar daquilo já não era algo bom já não fazia mais sentido,os Anjos que ele tanto orava já não podia fazer nada por ele, eles haviam negado de trazer ela de volta,estava fora de seus poderes e isso o revoltava, tão devoto e fora abandonado, deixou o Uísque sobre a mesa e segurou o vaso sobre as mãos olhou atentamente por alguns segundos e logo venho aquelas malditas imagens em sua mente as que o fazia arrepender profundamente  daquele maldito dia,mas ele precisava lembrar do propósito de tudo aquilo,ele se achava merecedor do sofrimento então com o vaso nas mãos simplesmente fechou seu olhos e as imagens começou a surgir em sua mente reconstruindo aquele dia. Eles estavam falando pelo telefone discutindo, ele estava exausto só queria descansar  mas ela queria conversar precisava dar uma noticia pra ele,mas ele já tinha recebido noticias ruins de mais por um dia não queria falar com ninguém, só queria encostar sua cabeça sobre o travesseiro e esquecer de tudo e todos, seu livro tinha sido negado por todas as editoras que ele havia enviado, era a esperança das coisas voltarem ao normal ele esperava por esse momento a anos e tanto trabalho e dedicação tinha sido jogado fora, como poderia conversar com ela que cara teria pra olhar nos olhos dela e dizer que era um fracasso como escritor e na vida, Ela já estava a caminho da casa dele era uma estrada curta de poucos minutos estava de carro e garoava fraco na estrada, mas era uma pista movimentada de caminhões e carros, então ela decidiu parar em um acostamento em quanto falava com ele pelo telefone, eles estavam passando por um momento difícil em seu relacionamento, algumas semanas de brigas, ele estava sobrecarregado pelo trabalho pois era um projeto de toda uma vida e ela estava estranha com ele dias bens e dias ruins algo que ele não entendia e isso o incomodava profundamente, e pra ter outra briga era melhor que eles não se vissem,ela insistia mas ele não poderia ver ela, não naquele estado de fracasso então resolveu dar um basta naquela discussão dando um grito forte no telefone dizendo que não queria ver ela e pra não insistir, instintivamente ela soltou um grito também dizendo que estava grávida automaticamente jogando o carro na estrada para fazer o retorno de volta pra casa com seus sentidos atordoados por causa do estresse e da raiva, do outro lado do telefone só podia se escutar o término da palavra grávida com um fino grito e uma buzina grave e logo em  seguida o simples som de um celular desligado.
Ele apertou mais forte seus olhos como um pensamento ruim que vinha na sua cabeça e ele forçava pra retirar, mas aquilo era impossível aquele sentimento não sairia e não deixaria ele viver em paz, então abriu os olhos com o vazo sobre suas mãos apertava tão fortemente que ninguém conseguiria tirar de suas mãos e com a mesma ira o atirou sobre a janela do sexto andar onde morava estilhaçando assim o vidro que protegia a janela e fazendo com que as folhas brancas se misturassem com os estilhaços de vidros no chão daquela rua deserta, uma rua com ninguém que achasse ruim o feito,que pudesse querer tirar satisfação,que pudesse assim então joga-lo da mesma janela mas isso ele sabia que não iria acontecer coisas boas não são fáceis assim, então se lembrou do relógio não podia passar da meia noite,pois teria que ser marcado pela data e aquela data seria lembrada, então olhou no relógio já era 23:40hrs não podia perder mais tempo estava decidido,então abriu a gaveta de sua escrivaninha e tirou dois frascos um de Lorazepam e outro de Propofol era o suficiente pra acabar com toda aquela dor que avia sentido durante todo o mês que passou avia aguentado muito,aquela dor não iria cessar não até ele decidir deixar o mundo onde vivia e que o tirou o que mais amava, então ele preparou os dois remédios já dava 23:54hrs precisava ser rápido não podia perder a oportunidade se não seria tudo em vão,aquela era a data e a hora certa pois neste mesmo dia eles completavam  cinco anos juntos então ele acabou por tomar quatro pílulas de Lorazepam e logo em seguida injetou o Propofol  e seus olhos foram fechando pouco a pouco foi sentido-se cansado e logo foi segurando o diário nas mãos assim indicando que quem o achasse deveria o ler sentou-se encostado na escrivaninha e somente repetia a mesma frase,
Será que os Anjos vão ficar zangados, porque me decidi juntar a você?...
Então ele acordou e viu que tudo não se passava de um pesadelo real, ele estava em um manicômio com seus braços amarrados e deitado sobre o chão daquela sala clara, então um pingo de sanidade voltou em sua cabeça.